Fabio Seixas, versão txt
"Clonagem" de modelos de negócio
dezembro 4, 2006, 6:20 PM por Fabio Seixas

Meu amigo In Hsieh, nos trouxe a luz de seus pensamentos a respeito de como a criatividade e o empreendedorismo são aplicados aqui no Brasil, principalmente no mercado online nacional.

In nos deixou uma pergunta que ele mesmo buscou a resposta:

Se nós brasileiros somos tão criativos quanto achamos (e os nossos publicitários estão aí para provar), por que temos tão poucos empreendimentos internacionais com diferenciais resultantes da inventividade brasileira?

Um dos pontos citados por In é a visível tendência de clonagem de modelos de negócios originalmente concebidos no exterior. Eles mesmo cita que temos 3 "clones" brasileiros do Digg.com. Outros exemplos não faltam: 8P x Flickr, Syxt x Linkedin, Wasabi x Netvibes, favorit0br x del.icio.us, VideoLog x YouTube e certamente Camiseteria x Threadless, entre muitos outros.

De fato, assim como resaltado pelo autor, o ambiente brasileiro não é favorável para o empreendedor brasileiro. Diga-se de passagem: economia em desenvolvimento, histórico de mercado fechado ao comércio exterior, limitação de crédito, capital de risco escasso, juros altos, impostos demais, corrupção, burocracia, etc.

Creio que o movimento vai muito além de uma simples inspiração em um serviço estrangeiro. Exatamente pela dificuldade do ambiente econômico nacional, o propenso empreendedor se poe a analisar idéias e oportunidades para o seu negócio. A grande maioria dos empreendedores ainda não deram "a grande tacada" no mundo dos negócios e por isso não possuem vastos recursos para investir em suas empreitadas.

Coloque-se no lugar desse propenso empreendedor posto a analisar suas opções. Ele pode ter a criatividade e coragem necessárias para implantar aquela idéia original que todo empreendedor sonha ter, ou pode apostar em uma oportunidade vislumbrada de trazer para o Brasil um modelo de negócio estrangeiro.

Para o pequeno empreendedor que pensa grande, o melhor caminho, aquele que elimina etapas no processo de seleção natural maximizando as chaces de sobrevivência, é o caminho de apostar em uma idéia que já deu certo pelo menos lá fora.

Esse posicionamento de fato facilita a vida do pequeno empreendedor. 1) Ajuda a disseminar o conceito do novo negócio ("EuCurti, um Digg brasileiro" ou "BlogBlogs, o Technorati nacional"); 2) Elimina, pelo menos em parte, a dúvida sobre a aceitação do produto/serviço ("se deu certo lá fora as chances de dar certo aqui também são boas"); 3) Ajuda na tomada de decisão durante a gestão do negócio já que os passos do serviço inspirador pode ajudar nos passos do "clone" nacional.

Todos esse posicionamento ao criar uma empresa nacional, muitas vezes não racional ou consciente, é basicamente uma minimização do risco do novo empreendimento. Empreender é antes de mais nada saber medir e controlar o risco.

Para os que viveram a criação da Internet nacional ou ao menos puderam acompanhar os últimos 8 anos desse mercado, peço façam uma análise pragmática de como esse mercado se desenvolveu aqui no Brasil. Um dos serviços nacionais mais bem sucedidos foi o Cadê, um "clone" do Yahoo. Outro exemplo que rendeu milhões de dólares (e uma marca de cachaça) para o criador foi o ZipMail, um "clone" do HotMail. UOL, Terra, IG, iBest, todos "clones" da AOL e da falecida CompuServ. O ParPerfeito, recentemente vendido por quase 22 milhões de Euros para o europeu MeetIC, um "clone" do Match.com. Mercado Livre e eBay. Submarino e Amazon. HPg e GeoCities. Catho e Monster.com. E por ai vai. Essa lista seria muito longa. Cite um exemplo, qualquer exemplo e encontraremos uma inspiração vinda de fora. Mesmo no mundo offline isso também é padrão dominante. Rede Globo? Mesbla? Bob´s? Shopping Centers? Salas de cinemas? Parques de diversão? Faça você mesmo a correlação.

Tirando as potências econômicas que lideram o desenvolvimento da web mundial (principalmente EUA, Inglatera e China), quase todo o resto do mundo segue o mesmo caminho (Vide a séria de artigos sobre os top aplicativos web do blog Read/WriteWeb feita com diversos países, Brasil inclusive).

Sinceramente não gosto do termo "clone". Clonagem é derivar uma coisa de outra a partir de suas informações fundamentais (DNA). Nenhum dos exemplo citados acima foram clonagens. Foram inspirações. Observa-se uma oportunidade de algo que está dando certo lá fora e traz-se o modelo para o Brasil minimizando os riscos e maximizando as chances de sucesso. Aprende-se e inspira-se com aqueles que já passaram pelo caminho das pedras e podem mostrar um caminho menos árduo.

Mas In está certo em apontar o caminho do sucesso. "na vida e nos negócios, execução é tudo". Idéas não são o fator de sucesso. Execução é o fator de sucesso. Quantos sites de buscas de capital nacional existem? Quantos são importantes no cenário nacional? Sites de namoros? Existem dezenas, mas só um deles
foi vendido por milhões de Euros. Execução é mais importante que a idéia. Não é à toa que nossa sociedade valoriza a experiência profissional.

O mais importante não é usarmos a criatividade latente do brasileiro na criação de negócios baseados em idéias absolutamenter originais. O mais importante é aplicarmos essa criatividade na execução dos negócios que criamos. Ai está o grande valor do Brasil, pelo menos por enquanto, até nos tornarmos uma verdadeira potência econômica mundial. Essa é, e deve continuar sendo, nossa principal força para desenvolver o nosso mercado web nacional. Esse é o caminho que os países em desenvolvimento encontraram para travar a desleal luta da seleção natural. Mesmo os países economicamente desenvolvidos são, na vedrdade, países em desenvolvimento em termos de web. Itália, Espanha, Austrália, Austria e Dinamarca são exemplos. Estes países não são potencias no mercado da web mundial e seguem o mesmo padrão.

É claro que se algum brasileiro tiver os recursos necessários (ideia original, capacidade de execução primorosa, capital, capacidade de absorver riscos e resiliência) para criar algo absolutamente original e que irá dominar o mundo, com certeza será muito bem-vindo. Mas as chances estão contra ele.





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Debate: Qual o caminho mais rápido para o fracasso de uma empresa?
abril 28, 2006, 10:49 PM por Fabio Seixas

Ao planejar uma empresa, muitas vezes pensamos somente no que é necessário para que ela seja um sucesso, mas será que deixar de lado os fatores de fracasso é saudável?

Além do enfoque "sucesso" devemos aplicar também o enfoque "fracasso" no planejamento ou desenvolvimento de um negócio.

-Será que o que estou fazendo na empresa vai leva-la ao fracasso?
-Quais atitudes devem ser evitadas?
-Que processo são facilitadores de fracasso ao invés de facilitadores do sucesso?

As vezes o empresário se cega para certos comportamentos e atitudes que levam ao fracasso da empresa. Quando percebem, já é tarde demais.

O que acham? Quais seriam essas atitudes fracassadas?

Vamos debater!





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