Tenho visto o bafafá sobre o Blog da Petrobras e tenho achado tudo isso ótimo. Tão ótimo quanto o que acho que vem acontecendo com a indústria da música nos últimos anos.
A Internet muda tudo mesmo. Vêm mudando drasticamente a indústria da música reduzindo a venda de CDs, crucificando modelos de negócios estagnados e fomentando novos modelos criativos além de criar estratégias de divulgação que fogem do comum.
Não seria diferente com outra indústria, a do jornalismo.
A chegada do Blog da Petrobras não trouxe nenhuma novidade. No dia que o primeiro blog corporativo foi publicado, já aconteceu a primeira desintermediação dessa indústria. Uma empresa não precisava mais dos veículos tradicionais para colocar suas informações na rua tirando proveito de uma plataforma que favorece a divulgação da informação.
O que o Blog da Petrobras trouxe foi uma aumento da amplitude dessa desintermediação. Estamos falando de uma empresa de grande importância para o Brasil e qualquer movimento brusco merece reações das partes envolvidas. E em como toda desintermediação, o que está em jogo é o poder do intermediador.
O amigo e jornalista Tiago Dória já falava: "Jornais impressos nunca foram máquinas de fazer dinheiro, mas uma forma de ganhar poder e influência".
Os jornalistas estão alvoroçados porque tal atitude da Petrobras é uma ameaça ao seu poder e influência. Se a Petrobras já não precisa tanto dos veículos tradicionais para divulgar suas informações, ou mesmo questionar esses mesmos veículos, estes se tornam menos influentes, menos manipuladores e portanto, menos poderosos.
A Associação Nacional de Jornais anunciou que repudia a atitude da Petrobras. Já Associação Brasileira de Imprensa apóia a iniciativa. Ou seja, aqueles que defendem a imprensa como uma classe entenderam que isso é uma evolução do segmento, enquanto quem representa os jornais considera isso uma ameaça. Quem detém o poder não é a imprensa em si, mas sim os veículos (jornais) que nela se baseiam.
Em toda grande mudança de paradigma, a primeira reação da parte afetada é questionar a validade da motivação da mudança. Mas a força do meio é mais avassaladora do que a força de qualquer entidade de classe. O problema é que, como em qualquer grande revolução, sempre há aquele primeiro pato que é sacrificado na tentativa de manter o status quo. No caso da indústria da música o pato foi o Napster. No jornalismo nacional, o pato pode ser o Blog da Petrobras.

No Flickr de Bud Caddell
“In order to succeed, your desire for success should be greater than your fear of failure.”
- Bill Cosby