Mesmo num final de semana de sol numa cidade praiana não consigo desligar completamente minha mente para essas pequenas observações da vida digital. Estava na casa de alguns amigos, papo e cerveja correndo solta. O som que tocava numa dessas bases para iPod, que começara animado, já não estava tão animado assim. Alguém sugere “Troca o iPod lá”. Alguém responde “Meu iPod é Sony, não funciona, né?”. Por cinco segundos eu me contive e tentei observar se alguém iria fazer algum comentário sarcástico. Nada. Parei para analisar a situação. Apesar de haverem na mesa alguns profissionais de Internet dentre outros digitalmente incluídos, eu fui o único que senti dor no ouvido ao escutar aquilo. Resolvi ficar quieto.
Mesmo depois do “incidente”, me peguei pensando na situação. É besteira, eu sei. O que há de mal na expressão? Nada. Mas eu sou descendente de portugueses e dizem que portugueses levam tudo ao pé da letra. “Meu iPod é Sony” é algo que não pode ser levado ao pé da letra.
Os dois neurônios marketeiros logo se puseram a pensar. Chego a conclusão que a Apple conseguiu algo que poucas marcas conseguem. “iPod” virou sinônimo de MP3 Player. O hall das marcas que conseguem esse feito é seleto. Bombril, Xerox, Gilete, Sucrilhos, Cotonete e mais outra dúzia de marcas. Também pudera. Essas marcas viraram sinônimo de produtos com nomes complicados ou longos: Palha de aço, fotocópia, lâmina de barbear, cereal de flocos de milho, hastes flexíveis com ponta de algodão(!). Não poderia ser diferente com MP3 Player. Repete comigo: “MP3 Player”. Mais uma vez: MP3 PLEIEAR. Quantos por cento da população brasileira conseguem pronunciar “Player” corretamente? A maioria deve ficar só no “plea” mesmo. Realmente, “iPod” é bem mais fácil. Só não pode pro pessoal escrever senão "aipodi".
Nessa história, coitada da Sony que nem pode anunciar que seu mais novo celular possui a funcionalidade de “iPod”. Vai ter que continuar usando “Tocador de MP3”.
Notícias não muito boas atingem uma startup brasileira.
A poucas horas atrás, o New York Times publicou a notícia de que o Facebook está processando a Power.com, uma startup brasileira baseada no Rio de Janeiro, por infringência de direito autoral e marca, concorrência desleal, violação do Computer Fraud and Abuse Act, entre outras acusações.
A Power.com é uma empresa que se propõe a ser um gateway para várias redes sociais e para isso, coleta informações de logins dos usuários e suga coleta informações das redes sociais.
Segundo NYT, as empresas vinham conversando para tentar acertar uma forma de trabalharem juntas, até o momento, sem sucesso.
A Power.com, após tomar conhecimento do processo, suspendeu a parte do serviço que se conecta ao Facebook.
Em 2007 tive a oportunidade de conhecer Steve Vachani, co-fundador da Power.com, após ter conhecido Eric Santos, também co-fundador. Não tenho dúvida de que os fundadores são empresário éticos, apesar de não apoiar algumas das práticas adotadas pela empresa. Durante uma conversa, cheguei a questionar Eric sobre a infrigência dos termos de uso das redes sociais. Pude perceber que estavam cientes dos riscos envolvidos. É claro que existe a interpretação dos termos de uso mas será isso julgado no processo.
Veremos como isso desenrola. Espero que a Power.com possa achar um caminho "correto" para trabalhar com as diversas redes sociais
A revista sobre fotografia da qual sou fã e que apostou no co-criação (crowdsourcing) como modelo editorial fecha as suas portas. A crise a pegou em cheio e ela não conseguiu sustentar seus compromissos.
No artigo onde anunciaram o fim da empresa, Laura Brunow fala que tentaram encontrar compradores para empresa ou novos investidores e ainda algumas alternativas criativas, sem sucesso.
Mas deixaram de lado uma opção natural para uma empresa que aposta na co-criação: pedir ajuda aos seus usuários. Não enviaram um email ou não montaram uma campanha de arrecadação de fundos, não tentaram a solução mais obvia.
Ao ler a notícia, meu primeiro questionamento foi se o que causou o fechamento foi a crise ou o modelo apoiado na co-criação, afinal eu mesmo tenho um negócio baseado em co-criação. Minha análise é de que o fechamento da JPG Magazine nada tem a ver com seu modelo de publicação editorial, mas sim em seu modelo de geração de receita, no caso publicidade, aliado ao péssimo momento da economia americana.
Mas o espírito criado pela revista continua. A Fray, uma empresa que aposta no mesmo modelo editorial está ai para mostrar a que veio. A única diferença é que a JPG Mag é uma revista sobre fotografia enquanto a Fray é focada em histórias.
Tomara que a JPG ache uma solução até segunda-feira, dia marcado para o site sair do ar. Até lá, aproveite para baixar as edições da revista em PDF.
UPDATE: A JPG Mag acabou de postar em seu blog que, depois do anúncio do fechamento da empresa, algumas partes estariam interessadas em comprar a empresa. Vamos torcer.
O Rodisley, designer aprovado recentemente no concurso do Camiseteria, me fez uma pequena homenagem e eu não poderia deixar de postar aqui.
Rodisley, valeu!
Uma das minhas resoluções de ano novo é blogar mais. Em 2008, o trabalho combinado com o Twitter, me roubaram muito do meu blogging mojo. Em 2009 pretendo recuperar esse mojo e trazer mais conteúdo para vocês. Começando agora.