Infelizmente não estive presente no Campus Party. Uma conjunção de fatores me impediu de ir a São Paulo participar deste grande evento. Certamente não deixarei passar no ano que vem.
Quem quiser ter uma boa idéia do que foi o evento, recomento a leitura do artigo do Pedro Dória no Estado de São Paulo (Via Viu Isso?)
Talvez o momento mais debatido do evento tenha sido o debate que abordou, mais uma vez, a questão "jornalistas x blogueiros". O Michel Lent escreveu uma ótima peça sobre o epsódio.
Houve ainda o protesto pacífico onde um blogueiros vestido de dinosauro invadiu o aquário da sala de imprensa para manifestar pela segregação entre jornalistas e blogueiros proporcionada pelo evento ao criar uma área de imprensa onde só podiam entrar jornalistas de veículos tradicionais.


Fotos do radar cultura
Apesar da criatividade, eu me peguei questionando a razão e o objetivo da ação. Em muitos aspectos a blogosfera é muito mais eficiente que imprensa tradicional. Falo de abrangência, quantidade e velocidade da informação. E ainda assim a blogosfera cisma em querer ser tratada como imprensa tradicional. Não somos. E isso é bom!
É a aquela velha história do copo meio cheio ou meio vazio. A imprensa "blogosférica", essa feita por jornalistas amadores e profissionais, deveria se vangloriar de não precisar de um aquário, privilégios e preferências para fazer o seu trabalho. Deveria se orgulhar de ser aberta, democrática, transparente e ágil, características que muitos veículos tradicionais não podem oferecer.
O Campus Party por si só já deveria ser considerado mais um grande passo na democratização da comunicação aberta, espontânea e instantânea já que disponibilizou um link largo e democrático de conexão com a Internet.
Pra mim, o copo estava meio cheio no Campus Party no que diz respeito a questão de imprensa tradicional e blogosfera. A imprensa tradicional, cheia de hierarquias e processos editoriais, precisa de muletas para fazer seu trabalho. Precisa de alocação de profissionais, de um espaço exclusivo, sem barulho e de computadores emprestados. Por outro lado, temos a democrática blogosfera com seus milhares de voluntários, dotados de notebooks conectados e máquinas fotográficas focadas, com agilidade e opiniões afiadas (ou não) funcionando em um lindo caos harmônico (ou nem tanto).
Não digo que a imprensa tradicional não serve para nada. Muito pelo contrário. Neste país onde ainda buscamos a inclusão digital, a imprensa tradicional tem seu importante papel. Nem digo que ela é pior ou melhor que a imprensa "blogosférica". Digo apenas que tem estruturas diferentes, modelos de custos diferentes, objetivos diferentes e, principalmente, meios diferentes.
Cada um deveria cuidar do seu meio e deixar que o outro cuide melhor do meio que não entendemos. Deixem os jornais levarem suas informações do dia anterior impressas em folhas de papel para milhões de pessoas desconectadas e continuem fazendo o seu papel de colocar na web notícias e opiniões cada vez mais inteligentes e bem escritas.
Deixem o papel e a TV para quem os fazem bem. Nós temos a Web e sabe como comandá-la.