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Web semântica e compreensiva
abril 2, 2007, 2:41 PM por Fabio Seixas

A evolução humana é constante. Na web não seria diferente. Tentamos determinar marcos históricos para facilitar o entendimento do progresso. Web 1.0, 2.0, 3.0.

Para onde a web está caminhando? Dizer que o futuro é a web 3.0 é clichê, afinal 2.0 + 1 = 3.0. Mas qual será o próximo grande passo no desenvolvimento da tecnológico, cultural e comportamental da web? A comunidade internacional está apostando que é a Web Semântica.

Semântica para compreender
O conceito da web semnântica não é novo. As primeiras discussões datam do final dos anos 90. O debate tem se tornado mais atual pois hoje temos mais condições de realmente enterdemos como usar a semântica. E a Web 2.0 ajudou muito nesse entendimento.

Web Semântica é a capacidade de computadores interpretarem, entenderem e tirarem conclusões do conteúdo disponível na web.

Pegue por exemplo uma ferramenta de busca atual. Seu funcionamento básico é o mesmo das primeiras ferramentas de busca. Dê alguma dica (i.e. palavras-chaves) e o mecanismo de busca irá mostrar uma pilha de documentos que podem ou não ter a resposta para o que você procura. O quão inteligente e otimizada é a pilha de documento é tarefa da busca. Cabe ao usuário pesquisar a pilha de documentos da forma que ele desejar, dando o trabalho que der.

Um mecanismo semântico de busca iria além. Iria interpretar e compreender o que você quer descobrir. Em seguida iria pesquisar, analisar, interpretar e compreender a sua base dados (ou várias bases de dados, ou ainda "a base de dados web") e iria mostrar A resposta.

Um exemplo: Você quer fazer uma viagem de final de semana. Então você entra no Google e digita "Pousada em Búzios promoção" e ele vai te mostrar uma lista de links apontando para documentos que podem ou não ter informações sobre a pousada que você irá se hospedar mas que nem você sabe ainda qual será. Neste caso a análise e pesquisa (interpretação e compreenção) dos resultados é tarefa do ser humano. A busca semântica, através de agentes inteligentes pessoasis, já saberia que você está prestes a tirar férias, que você é casado, tem 2 filhos e um cachorro e irá efetivamente achar a pousada que você irá se hospedar. Exatamente aquela que tem eventos para as crianças, aceita animais e está dentro do seu poder de compra. Ou pelo menos, se não fosse 100% eficiente, iria mostrar algumas poucas opções de acordo com o contexto.

Ou seja, interpretação e compreenção semântica do conteúdo online.

Mas como isso seria possível? Será necessário que existam estruturas de dados e de interpretação que permitam que os computadores possam entender e interpretsar o conteúdo. Para essa tarefa, existem os metadados (i.e. dados sobre o dado).

Imagine um Digg que, ao invés de ser potencializado pelas análises e contribuições dos seres humanos, seja potencializado por agentes computacionais inteligentes que tenham a mesma capacidade de análise. Isso é web semântica.

Imagine a existência de agentes pessoais inteligentes que que vasculhem a web interpretando-a em prol de suas necessidades profissionais diárias e seus desejos pessoais. Um "Mini-Me" inteligente que nos ajude em nossas tarefas de maneira mais eficiente. Isso é web semântica.

Imagine serviços inteligentes de acompanhamento de conversações na blogosfera que podem tirar conclusões sobre tendências mercadológicas de maneira automatizada. Um Technorati semântico. Isso é web semântica.

Mudança de paradigma
A possibilidade de computadores poderem entender e interpretar o conteúdo online é uma grande mudança de paradigma, principalmente quando isso atingir o usuário main stream. Alguns analistas apostam que isso deva acontecer daqui a 6 ou 7 anos. Ainda há muito a ser desenvolvido. Mas essa é a janela de oportunidade para que surja um novo "Google", com um IPO maior e ainda mais poderoso que o atual.

2.0 x 3.0
A web 2.0 foi um movimento natural. Algo que os usuários almejavam sem saber que almejavam e que a comunidade empreendedora foi aos poucos suprindo desde 2003.

A web semântica, ou web 3.0, vem sendo almejada e planejada pela comunidade acadêmica antes mesmo da web 2.0 ter se tornado main stream. E o fato de estar sendo planejada pode dificultar muito torna-la main stream. Quando algo surge naturalmente, é melhor aceito. Quando é previamente elaborado, levamos mais tempo para assimilar.

A web 2.0 é sinônimo de conteúdo gerado pelo usuário e participação. A web 2.0 não morrerá com a web 3.0. Ela será o alimento da web 3.0. A web 3.0 nada será se não houver enormes quantidades de dados para serem analisados e interpretados.

A humanidade produziu 161 bilhões de gigabytes de novos conteúdos em 2006. Espera-se que em 2010 a gente produza nada mais, nada menos que 988 exabytes, ou seja, quase 1 zettabyte de dados em um único ano. À 50 anos atrás a humanidade não tinha produzido 1 bilhão de gigabytes em toda a sua história.

Estamos em uma época de geração massiva e exponencial de conteúdo. Já aprendemos a acessa-lo, organiza-lo e torna-lo globalmente acessível de maneira automatizada (err... Google), mas ainda precisamos aprender a como torna-la interpretável e em como efetivamente interpreta-la automaticamente.

Na web 1.0 o poder estava no gerador de conteúdo ceentralizado. Na web 2.0 o poder estava no gerador de conteúdo descentralizado (o usuário). Na web 3.0 o poder estará no interpretador automatizado do conteúdo existente. Vale notar que um poder não anula nem inimiza o anterior.

Enfim, tudo por uma web mais esperta. Quem sabe um dia a gente consiga construir uma web quântica.




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Comentários

Uau, esse texto foi realmente ótimo.

Eu não imagino a web semântica com toda a seguda estrutura de metadados para dar significado à informação como muitos defendem. Acho que se até hoje boa parte dos sites sequer se adaptou aos chamados padrões web, imagina pregar que agora precisam de metadados...

Pelo que entendi do seu texto a sua visão é parecida com a minha apesar de vc não ter dito isso explicitamente. Máquinas inteligentes o suficiente para entender a informação criada pelas pessoas é que serão a base da web semântica e não metadados e essas coisas.

Abraços!

Postado por: Alexandre Fugita em abril 2, 2007 8:10 PM


Ótimo artigo!

É uma pena que desenvolver uma web 100% semântica não dependa só de nós, os desenvolvedores que trabalham com esses conceitos de standards e semântica. O 'main stream' do desenvolvimento web infelizmente ainda utiliza tag table para o layout, tag p para os headings, e assim por diante.

E criar um programa que decifre o que são headings, o que são parágrafos, num código HTML embaralhado e mal feito, é impossível.

Claro que as tais Web's 2.0, 3.0, 4, 5, 6, são impulsionadas por grandes empresas, mas não são elas as responsáveis por criar o código HTML de todo o conteúdo na Web.

Falta na grande maioria dos desenvolvedores essa consciência da importância do conteúdo para a internet, e não somente o visual do site. E até despertar essa preocupação, temos tempo suficiente para planejar (mas não colocar em prática), quantas webs quisermos, 5.0, 10.0, 23.0, pois ficamos dependentes de desenvolvedores que atrasam o progresso da web.

Postado por: Rafael Marin em abril 2, 2007 10:34 PM


Excelente post! Disse várias coisas que eu sempre tive somente na cabeça e nunca consegui exteriorizar. Me atentou para assuntos novos também, como o fato de passar o poder para o interpretador do conteúdo.

Postado por: Marco Gomes em abril 3, 2007 1:23 AM


Primeiramente, é assustador esses número sobre conteúdo!! Incrível como todos nós somos responsáveis por isso, sendo comentando um artigo, sendo escrevendo um artigo e por aí vai.

Bom, acredito na convergência de toda essa tecnologia a nosso favor. Concordo que é mais fácil, mais natural quando é algo não planejado, mas quando se junta com algo mais planejado, se torna algo melhor e mais forte. E nos dias de hoje, tudo isso se torna "real" de uma forma muito mais rápida. E logo mais, termos a Web 4.0, 7.0 e por aí vai.

Postado por: Guillermo Guerini em abril 3, 2007 12:20 PM


Muito bacana o post, Fábio. Me chama a atenção uma colocação em especial: "A web 2.0 não morrerá com a web 3.0. Ela será o alimento da web 3.0.". Concordo, a alimentação da inteligência artificial só pode acontecer com informações cedidas pelos usuários; no entanto, tendo a achar que a automatização das buscas e serviços tende a abafar com o burburinho das conversações da web 2.0. Abs, Carlos

Postado por: Carlos d'Andréa em abril 6, 2007 7:21 PM


Lindo, maravilhoso, mas o avanço para essa Web 3.0 não possibilitaria ainda mais invasão de privacidade dos usuários? Isto já acontece na nossa web, através da identificação do ip, cookies etc... mas a semântica parece ter essa característica ainda mais aguçada. E invasão significa controle.

Postado por: Pablo Pamplona em abril 8, 2007 7:26 PM


Olá Fábio, legal seu artigo sobre web semântica.
Experimente usar o Garimpar.com, nossa busca web é integrada com o Favoritos e o Noticias, o nosso objetivo foi alimentar o Crawler com as URL's e TAGS adicionadas pelos usuários.
Nosso objetivo é ter resultados mais relevantes e criar um sistema inteligente de entrega de notícias baseadas nas ultimas TAGS que você insere no sistema, tudo automaticamente usando Computacao Emergente e Teoria do Caos.
Fico bem interessante o resultado, experimente usar.
Abraços e sucesso
Jose Roberto
Presidente Executivo Garimpar.com

Postado por: Jose Roberto em abril 15, 2007 9:15 PM


Jose Roberto, legal mesmo a sua idéia. Acho que é por ai, mais interativo e menos "digitativo".

Fábio, acho que o caminho é inteligência artificial. Tem muita coisa boa surgindo por ai. Dá uma olhada nesse demo que a Cortex fez, será que é por ai?

[]s
Christian

Postado por: Christian Aranha em abril 23, 2007 2:06 AM


Falando de Web semântica, tenho um link bem legal
www.cortex-intelligence.com

Postado por: Claudia em agosto 27, 2007 3:01 PM


Ola Fabio, gostei muito do texto. Escrevi recentemente sobre o assunto. Vou linkar o seu texto no meu blog!

Abs,
Anita.

Postado por: Anita Lucchesi em junho 16, 2008 9:18 AM


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