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Não vamos cometer os mesmos erros
março 26, 2007, 2:00 AM por Fabio Seixas



As palavrinhas estão no ar novamente. Ando escutando elas por ai. E não apenas nas mesas de bar. Ando escutando em negócios e projetos reais. IPO, Stock Option, Capital de Risco, etc. Tudo muito bom, um novo momento, novas oportunidades, etc, mas, por favor, não vamos cometer os mesmos erros novamente.

O ano de 2000 presenciou o desfecho de uma série de desventuras. Boo.com, Pets.com e tantas outras empresas que sumiram do mapa e que apostaram que poderiam aproveitar o momento e criar negócios sem bases sólidas contando com a possibilidade de serem compradas ou de fazerem IPOs milionários.

O momento está tornando a surgir. Isso é bom. O que vamos fazer com ele, quem vai se dar bem, quem vai se dar mal é o que devemos analisar.

Então, para não cairmos nos mesmos erros da bolha 1.0, sugiro algumas reflexões:

"Vamos criar uma empresa qualquerbuzzword.com e alguém vai querer investir na gente!"
No final dos anos 90, muitas empresas foram criadas com o esse pensamento. Qual o motivo para se criar uma empresa? Criar valor deve ser a resposta. Investimento financeiro deve ser o facilitador de um projeto e não seu objetivo final. Investimento serve para alavancar e viabilizar o crescimento, não para personifica-lo.

Qual é o seu modelo de negócio?
Muitas vezes essa pergunta foi simplesmente ignorada. Ou quando era feita, pouco importava a resposta.

Numa época de euforia é comum acreditarmos em modelos de receita mirabolantes que não se sustentam e não conseguem provar sua viabilidade. Empresas que apostam na publicidade como única forma de receita também foram, são e serão muito comuns. Mas e se o mercado de anunciantes não alavancar? Se a oferta de espaço publicitário for maior que a demanda? Como ficam todas essas empresas que contavam com a publicidade para pagar suas contas?

Uma sugestão pessoal minha: Arrume um jeito de colocar um pé no off-line e outro no on-line. Isso facilita muito as coisas. Não foi à toa que a taxa de mortalidade das empresas de e-commerce na bolha 1.0 foi menor que o resto do mercado. Elas agregavam valor de maneira factível.

Investimento para que?
Você buscaria um investimento financeiro para alavancar uma empresa viável ou para sustentar indeterminadamente algo inviável? A melhor forma de conseguir um investimento é não precisar dele. Se você está buscando investimento para pagar as contas, algo está muito errado.

"Ei! Eu tenho uma idéia fantástica! Vamos ficar milhionários!"
Ideias não impressionam mais. A execução sim. Idéias são baratas e fáceis de encontrar, já bons executores são difíceis de achar. Não se apoie somente na idéia. Idéias não importam tanto quanto antes. Pense na Starbucks. Uma cafeteria. Quer ideia mais sem graça que essa? No entando, foi a execução que a tornou uma das mais admiradas empresas do mundo.

Feitas para vender
Existem empresas que são contruídas para serem vendidas. Nada de mal nisso. Outras são feitas para durar. Vender uma empresa é apenas uma estratégia de saída do investidor/empreendedor. Não confunda estratégia de saída com modelo de negócio. Você pode até não ter uma estratégia de saída (talvez nem tenha pensando nisso), mas você não pode se dar ao luxo de não ter um modelo de negócio. "Vamos criar uma empresa e depois vende-la" não é um modelo de negócio, é uma estratégia de saída.

"Web 2.0 is the air for the next bubble" – Paul Witherow

Isso não significa que já temos uma bolha. O ar é apenas um elemento da bolha. A "película" que o envolve é o dinheiro sendo investido quase que indiscriminadamente. Isso ainda não está acontecendo no Brasil, mas talvez já esteja acontecendo lá fora. Mas os elementos que podem se tornar uma bolha já estão surgindo. Tudo depende do que iremos fazer com esses elementos.



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Comentários

Fábio, esse artigo está excelente, de verdade! =]

Muitos dos pontos contemplados por você em seu texto são semelhantes aos ensinamentos e estratégias que o pessoal da 37 Signals aborda no livro chamado Getting Real. Acredito que você já deve ter lido a tradução do mesmo para o português, correto?

Um artigo tratando sobre o que, de fato, seria um modelo de negócios em detrimento de uma "estratégia de saída" ou qualquer outro tipo de pensamento equivocado seria muito bem aceito por nós leitores. Fica aqui a minha dica!

Grande abraço!

Postado por: André Valongueiro em março 26, 2007 8:39 AM


Esse final de semana teve o BarCamp São Paulo — que foi muito legal, diga-se de passagem — e rolou um papo sobre startups, com o pessoal do Rec6/Via6, Marco Gomes e mais alguns empreendedores. Foi bem legal. Falamos sobre modelos de negócio e foi bastante esclarecedor!

Esse post foi super pertinente. ;)

Postado por: Nando Vieira em março 26, 2007 9:53 AM


Ótimo post!

Postado por: Rafael Dourado em março 27, 2007 9:37 AM


Excelente post Fábio. Estamos nos movimentando aqui em Recife para abrir um negócio que tem suas bases na web 2.0, CGM, "The long tail", e seus pensamentos nos ajudaram ainda mais.

Um abraço,

Thiago Nascimento
www.ideavertising.blogspot.com

Postado por: Thiago Nascimento em março 27, 2007 10:08 AM


Fábio,

Acho que a empolgação do mercado da bolha 2.0 também se alastra para empresários fora do ramo. Pessoas que parecem dispostas a investir em empresas arriscada, crendo em retornos altos.

Vi muitos bancos cometerem esses mesmos riscos.

Acho que falta planejamento financeiro e alguém com maior instrução empresarial e monetária para interagir com investidores. Claro que montar uma empresa tem de unir tudo isso: idéia, planejamento, operação e dinheiro bem administrados. Para começar.

O segundo passo é olhar o mercado consumidor, os concorrentes, os fornecedores... E isso eu vejo que muita gente deixa de considerar.

Torço para que mais idéias se estabeleçam melhor e prosperem. Vamos ver o que o futuro guarda.

Abraços
Bia

Postado por: Gabriela (Bia) em março 27, 2007 8:29 PM


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