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Bootstrapping
março 10, 2006, 7:09 PM por Fabio Seixas

Hoje descobri um termo para algo que sempre fiz. Engraçado nunca ter ouvido tal termo. Já que o assunto chamou minha atenção, resolvi escrever sobre o tema. Bootstrapping.

Esse termo esquisito é utilizado em várias áreas como direito, estatística, eletrônica e até mesmo biologia, mas vou me ater ao lado emrpesarial do conceito.

Empresarialmente falando, Boostrapping é o ato de abrir uma empresa com pouco ou nenhum capital externo.

Considerando o custo de capital e a carência de capital de risco no Brasil, a abordagem de criação de uma empresa utilizando o método Bootstrap mostra-se muito melhor e mais viável do que a abordagem "arrume alguém para de dar muito dinheiro e torre tudo tentando criar uma empresa de sucesso".

Mas mesmo não considerando essas variáveis ambientais brasileiras, esse método trás algumas consequências interessantes que podem fazer toda a diferença no sucesso de uma empresa.

Ao se propor a criar uma empresa do zero sem capital externo, você está criando um caminho para tomar decisões que irão tornar o seu negócio muito mais sucetível ao sucesso. Você por exemplo se força a colocar no mercado um produto ou serviço que seja efetivamente um gerador de fluxo de caixa, injetando capital na empresa, ao invés de simplesmente colocar no mercado um produto que é muito bom, mas que não necessáriamente gera faturamento. A era do boom das pontocom tem exemplos de sobra desse tipo.

Alguns benefícios do método boostrap:

1- Foco em produtos e serviços rentáveis. A partir do momento que você precisa impreterivelmente colocar dinheiro para dentro (fluxo de caixa), você elimina toda e qualquer ação, produto ou serviço que não irá gerar faturamento direto ou indireto para a empresa.

2- Foco em custo enxutos. Simples, com a grana curta, você pensa duas vezes antes de alugar aquela sala bacana, com espaço sobrando, vista para o mar e móveis top de linha.

3- Agilidade na obtenção de caixa. A partir do momento que não existe capital sobrando, todo seu esforço fica focado em tornar sua empresa lucrativa, na geração de fluxo de ciaxa saudável. Em contra partida, com capital sobrando você não corre tanto atrás de resultados. Afinal as contas do mês já estão pagas mesmo.

5- É o seu capital investido. Você não quer perde-lo e por isso faz de tudo e mais um pouco para viabilizar o seu negócio, enquanto que se você está operando com dinheiro de terceiros, o relacionamento emocional com o dinheiro torna-se completamente diferente. Você gasta com mais facilidade e com coisas desnecessárias. Se não der certo, não é o seu dinheiro que vai para o ralo.

6- Bootstrappers aprendem e assimilam os erros do negócio mais cedo. É fato. Todo mundo erra. Mas sem capital você precisa corrigir os erros muito mais ráipdo caso contrário você morre. Com capital sobrando, você pode errar mais e não se preocupar tanto com isso.

7- Agilidade e liberdade. Como não existe um agente externo (investidor) com o qual você precisa alinhar as suas decisões, você pode mudar o rumo e acertar a rota com muito mais facilidade.

8- Pessoas certas. Você não pode perder tempo e dinheiro na contratação das pessoas erradas, logo você cria meios para recrutar as pessoas certas. E são as pessoas certas, não as erradas, que delineiam o sucesso de uma empresa. Além disso, sua equipe fica mais enxuta, otimizada e, conseguentemente, altamente especializada, diminuindo a burocracia e atritos desnecessários.

9- No final, os meritos serão seus. Se você conseguir criar algo de sucesso no método bootstrap, você (e os demais fundadores) leva todo o mérito por ter criado algo somente pelo seu esforço (e dos demais fundadores). Essa é a grande satisfação de um empreendedor.

O método bootstrap é sem dúvida um caminho mais estressante. Nada pior do que ter que contar centavos para pagar as contas no começo. Mas por outro lado, é ele que te permite criar algo que seja realmente factível.

Bill Gates, Michael Dell, Steve Jobs, Alexandre Accioly são exemplos de empreendedores que conseguiram criar um império a partir de uma operação que começou no método bootstrap. Alexandre Accioly por exemplo, começou a QuatroA (atual Atento, empresa de call-center que foi vendida para a Telefônica por U$ 140 milhões) com meia dúzia de linhas telefônicas.

Eu mesmo já abri empresas no método bootstrap e já abri no método "show me the money". É enorme a diferença emocional e psicológica pela qual o empreendedor passa em ambos os casos. A grande diferença é que bootstrap te permite ser mais realista, mais focado em resultados, enquando com capital fácil, se você não tiver experiência, a coisa toda pode virar uma grande gastação desenfreada.

Obs.: Um blog interessante sobre o assunto: Bootstrap Network Blog





Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.



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Comentários

Vamos dizer que não é bem assim.
Só porque tem um capital substancial para
abrir um novo negócio não quer dizer que
vai ser relapso com quem contrata, com o
produto e torrar tudo em propaganda.
O Bootstrapping como você coloca é legal,
mas para simular a entrada de um produto
no mercado sem grandes custos. testa-se sua
viabilidade, corrige distorções e volta-se
a consultar o consumidor. Mock-ups de negócios.
Assim podemos montar uma base de dados sólida
e captar investidores com mais que uma idéia
na mão.

Postado por: Adriano em março 14, 2006 4:01 PM


Fábio, graaande dica!

Abs,

Vinicius S Factum
Tenho uma pergunta que merece sua resposta: É sobre o Dia do Consumidor! Antes, quero que conheça a história de Xu Jinglei, que com determinação e paixão, transformou seu Blog em um dos mais visitados do mundo. Vale a pena!

Postado por: Vinícius Factum em março 15, 2006 11:36 AM


Excelente, só questiono qual é a ortografia correta ou se não é melhor inventar uma palavra mais compreensível para os lusófonos.

OBS: Tá lincado no blog da Companhia

Postado por: Grande Líder da Silva em março 17, 2006 3:51 PM


Em outubro, li uma notícia de um site lançado naquele mês que tinha patrocínio de 4 milhões de reais para gastar em três anos. Li a mesma notícia em vários jornais, revistas, ouvi o dono do site falando na rádio. Visitei o site hoje, ele não tem nem mil usuários. A comunidade deles no Orkut tem menos de 40 (quarenta) usuários. É a definição de fracasso para mim. Internet é mais inovação e criatividade do que dinheiro.

Postado por: Michel em março 23, 2006 2:52 PM


Conheci recentemente esse termo bootstrepping, no livro de Guy Kawasaki, é muito interessante, não sabia que existia essa denominação para empresas que iniciam sem capital externo!

Seguindo algumas diretrizes do livro "A arte do começo" fica muito mais fácil obter sucesso no método bootstrapping.

Postado por: Thiago Freela em dezembro 15, 2010 7:21 AM


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